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11 dezembro 2011

breu

o azul escuro é o lugar mais sozinho do mundo. o preto, é onde está toda a solidão.

05 dezembro 2011

e sentir-me assim é basicamente


horrível.

29 novembro 2011

m de mãe e p de pai


a vocês que me estenderam o mundo nas mãos
que me protegem, me guardam e me recebem sempre como se fosse o primeiro dia
que me ensinaram a sentir o sol, a descobrir caminhos distantes, a procurar quem sou
vocês que me ensinam tudo sem pedir nada,
que me dão tudo sem receber nada,
que me apoiam incondicionalmente a cada minuto sem fazer perguntas,
vocês que me deixam ser como sou, sempre
que choram comigo e estendem gargalhadas ao meu lado
e que estão sempre por perto.
.muito obrigada.

aos meus pais.

21 novembro 2011

boa viagem



um ciclo que termina.
um ciclo de uma vida inteira.
éramos tão novos. aquilo por que já passámos. vejo-te partir e desejo-te boa sorte. mas o que queria mesmo era que tudo continuasse exactamente como sempre esteve.
passou-nos uma vida inteira pelas mãos.
entre desatinos, gargalhadas, confidências, lá nos fomos construindo, tu e eu.
até já, querido amigo.

e o peito já aperta com força de saudades do que fomos sendo.

20 novembro 2011

se

se eu soubesse tudo o que sei hoje
se eu fizesse melhor do que fiz
se eu ouvisse
se tu ouvisses
se eu quisesse
se tu estivesses
se eu tivesse feito, se eu tivesse parado a tempo, se eu soubesse o que aí vinha, se aquela porta não tivesse sido fechada e aquele lamento silenciado, se naquele dia, se daquela vez, se em vez daquilo outra coisa

se naquele instante tu, se naquele segundo eu.

se soubessemos melhor
... faríamos melhor.

se ao menos.

18 novembro 2011

noite acordada

a insónia dos dias e das noites em que respirar custa mais
a chuva a bater com força contra a janela como se gritasse um aviso
o coração tum tum tum toma-lá-não-te-queixes-estás-a-ouvir
uma gargalhada sem nome
uma gota de sal no canto do olho sem direção
o caos.

ser tia dela

E ela nasceu.
No dia 12 de Julho de 2011, recebi o telefonema mais bonito.

Invadiu-nos as vidas sem pedir permissão. De rompante, de repente. Lá veio ela mudar tudo. Mudar-nos a todos.
Uma bolinha de ânimo, liberdade, ensinamento, esperança. É isso que ela é.

Chama-se Concha.

E fez de mim uma malabarista diferente.

22 janeiro 2011

14 de janeiro de 2011.

estendeste um papel dentro de uma capa de cartão à minha frente e a partir desse momento tudo à nossa volta mudou.
encheram-se os peitos de amor, os olhos de sal, os braços de calor.
num instante passámos a guardar mais um de nós no coração. dentro em breve passaremos a contar mais um lugar à mesa.
olho em meu redor e surpreende-me a acalmia que me invade, um mar tranquilo, a sensação de que tudo está exactamente onde deveria estar.

o momento em que descobrimos que estamos apaixonados nunca se esquece. fica gravado, cravado debaixo da pele, junto à respiração.
acabei de descobrir que é possível amar alguém que ainda não se conhece.


dedicado ao meu irmão Vasco que em breve terá o seu primeiro filho. à sua espantosa mulher. aos meus pais que agora serão avós. aos meus avós que serão bisavós.

18 dezembro 2010

dormente

não sinto os braços, as pernas, as mãos. na cabeça transporto uma dor constante que já nem sinto e o peito apertado impede-me de respirar fundo. estou dormente. não sinto o meu corpo, não sinto nada. nem dores, nem alegrias, nada.
como uma televisão que perde o sinal e fica a chover. tshhhhhhh... o vazio.
estou adormecida. estou em coma-sensorial. estou dormente.

20 setembro 2010

.

Se hoje é dia 20, ontem foi dia 19.

19 setembro 2010

a minha família.

A minha família é barulhenta. A minha família é espaçosa. É ruidosa, é alegre, às vezes melancólica. É pachorrenta, é tranquila. É generosa. É feliz. É bonita. É pequena e é grande. É alta, é baixa, é magra, é gorda. É verde e amarela. É azul, é branca, é encarnada. É um coração do tamanho do mundo. É um copo de água fresca. É areia quente da praia. É uma tenda na planície. É uma gargalhada sonora. É confiante. É confiável. É pai, é mãe. É irmão, avós e cunhados. É viciante. É encantadora. É confortável e é segura. É quentinha. É camisola de algodão. É mobília resistente. É estrela polar. É almofada fofa. É quadro de museu. É música alta, é poema de Gedeão.
A minha família é tudo isto e o resto que fica dentro do peito. É a minha família. E a família é minha.



(uma melancolia agridoce enche-me o peito depois de um fim-de-semana em família.
o pai, a mãe, o irmão, a cunhada, a cadela-sobrinha e o marido.)

01 setembro 2010

de partida

há quem diga que a arte nasce da dor. que no reboliço de sentimentos perdidos e achados sai a criação, numa inspiração melancólica, quase divina, quase divinal.
eu cá não sei ainda de que opinião sou, mas sei que não vejo arte nenhuma nesta lança espetada no peito.

vou ali respirar mais longe e já volto.

28 agosto 2010

corrente de ar

Quando foste embora, melhor, quando desapareceste, abriu-se em mim uma fenda funda, profunda e dolorosa. Como uma rajada de vento, uma corrente de ar que tranca uma porta a um palmo do nariz.
Quando foste embora, melhor, quando desapareceste, uma espécie de sabor amargo invadiu-me o paladar durante dias. Um zumbido permanente nos ouvidos, uma dor de cabeça intermitente. Um enjoo matinal que durava o dia todo.
Quando foste embora, melhor, quando desapareceste, levaste-me contigo à bruta, sem dares por isso. Como se tivesse um bocadinho de mim a menos, levado pela água salgada que me escorre teimosamente pelas bochechas.

Hoje acordei e decidi que te vou mandar embora, te vou fazer desaparecer.