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04 novembro 2013


como regressar a casa.
respira fundo.
estás quase lá.










21 outubro 2013

há dias tramados.
momentos, para dizer a verdade - que o dia foi muito bom.
um conjuntura espacial e extraterrestre qualquer faz com que tudo, no espaço de apenas 1 hora, o que podia correr menos bem, assim o seja.
suponho que não controlamos o que sentimos e que há também momentos em que vomitar aquilo que nos faz mal é a solução. mas, acérrima defensora do think twice, que é como quem diz do pensa-melhor-antes-de-falares, fico lixada.
lixada que não saibam ter comigo o mesmo cuidado que em horas idas tive. porque há coisas que se podem dizer de todas as formas, menos dessa.
o impulso é um gajo tramado.
calculo que o erro - numa espécie de confirmação da razão alheia - seja de facto meu, que por não estar habituada a ser honesta, não sei lidar com a frontalidade dos demais.
porque não aprendes a dizer o que sentes?
e ficam as palavras penduradas, à espera que alguém as arrume. e se ninguém lhes pegar, mais tarde ou mais cedo das duas uma: ou caiem e são esquecidas ou ganham vincos e ficam assim para sempre.

16 outubro 2013

cantar amor

regressar ao alfabeto. procurar letras que juntas, formarão palavras, significados. contarão mundos e dirão amor.
regressar, enfim, ao que sempre lá esteve para dizer o que nem sempre se ousa.
o toque leve da ponta dos dedos para não fazer barulho, para não te acordar. imagino que antigamente seria mais fácil.
a sobreposição de acontecimentos que, uns nos outros, encerram em si os dias, os meses, todo o tempo em que estivemos ao longe. que é como quem diz de lá a olhar para cá.
observar-te é poesia. encantada por essa voz, fecho os olhos e aprendo. é assim que se faz, vês.
é assim que se canta a vida e se dança amor. serão assim as manhãs ao teu lado. os olhos brilhantes, de menina-mulher no balanço de um vento suave, quase-brisa, ao calor de uma luz amena, quase-sol.
se me perguntassem, diria que és um Fá.
frames separados de uma mesma fita. o filme da minha vida.
hei de conseguir contar ao mundo todo de que é que somos feitos.

[escrever enquanto sereno, dormes ao meu lado. ]


04 julho 2013

.

há pessoas que só merecem que as mandemos à merda.

02 julho 2013

sabes lá.

ah caramba.
que podes ter o dinheiro. o dinheiro todo do mundo. o meu e o dos outros todos.
podes ser o dono, o senhor director, o doutor.
podes ter o meu futuro enjaulado numa mão e o meu contrato de trabalho em branco na outra.
podes fazer o que quiseres. mandar, desmandar, decidir, podes até ser o maior filho da p*ta ao cimo da terra.
o que quiseres.
faz o que quiseres.

que nunca, nunca terás propriedade sobre a minha felicidade. essa, estará sempre trancada cá dentro, com acesso reservado a quem eu quiser. nessa, mando eu.
que nunca, nunca saberás o que é ser feliz assim, a sério. com tudo a que se tem direito.
que nunca, nunca sentirás a água daquele rio - naquela montanha - a purificar-te o corpo e a alma nem tão pouco saberás o que se sente quando se dança assim, ali e com eles todos.

sabes lá o que é ser feliz, tu.


20 junho 2013

é possível controlar o que se sente?
é possível controlar o que se sente e consequentemente, o que se faz?
a pergunta eterna.
viver com ela durante quase 3 décadas, é carregar uma mochila pesada aos ombros [talvez daí as dores].

primeiro, há que perguntar porque precisas da resposta.
porque precisas de controlar o que sentes?
porque precisas de controlar o que sentes e consequentemente, o que fazes?
será que te procuras encaixar numa determinada imagem? e porque será que para ti, tudo tem de estar arrumado no devido lugar? a desarrumação tira-me do sério, dizes.
expectations, expectations. o costume.
o que os outros esperam de ti. o que tu esperas dos outros. o que pensas que os outros esperam de ti.
[era quebrá-las a todas, uma a uma. parti-las contra o chão e pô-las no lixo, essas parvas.]
todas as coisas do mundo ocupam um lugar próprio. uma vez fora dele, deixa de ser possível justificá-las, reconhecê-las. é por isso necessário que estejam sempre arrumadas. para que as possamos ver com clareza e delas usufruir, segundo os princípios do livre arbítrio e não da arbitrariedade.

e neste momento, está tudo achincalhado, desarrumado, desalinhado, fora de sítio e de lugar. cá dentro, bem fundo, onde só eu sinto e só tu sabes.
cá dentro, onde te queria dizer melhor, onde me queria saber mais.

preciso de controlar o que sinto.
preciso de controlar o que sinto para consequentemente, parar de me sentir assim.



18 junho 2013

o liceu

e a vida parecia-nos eterna naqueles tempos. dias controversos, de descoberta, de procuras, de ânsias, dias cheios-quase-vazios, dias de tudo e de quase-nada. 
passou já uma década. dez anos mais 1 ou 2. onze ou doze anos nos separam daquelas tardes na relva em frente à sala de aula, por entre cigarros, testes, conversas e o toque da campainha. o mundo inteiro à nossa frente e todas as esperanças que nele cabem. 
tantos os sonhos, tantos os desejos. 

tantos anos depois, quem somos afinal e onde fomos parar? [será que parámos, ou continuamos caminho com esperanças, sonhos e desejos diferentes?]
e eu, 
que já tenho cabelos brancos.

19 maio 2013

a vida fica em suspenso sempre que não estamos juntos.

até já, meu amor.

*

18 maio 2013

expectativas

não sabemos falar uma com a outra.
falhamos redondamente naquilo que era suposto fazermos melhor. afinal somos ambas mulheres, deveríamos saber entender-nos.
se calhar é precisamente por falarmos a mesma linguagem que não nos entendemos. não basta falar o mesmo, é preciso viver no mesmo lugar. e nós, vivemos lá longe, em montanhas distantes que se olham sobranceiramente por entre dias de sol e dias de nuvens. partilhamos o mesmo chão e no entanto, existe entre nós uma fronteira quase intransponível, invisível, que nos mantém separadas. não dos outros, mas uma da outra.
mas vamos tentando. ou se calhar tu já desististe - ou nem tentaste - mas eu vou prosseguindo, no desejo de que me vejas. me reconheças de olhos fechados.
e o tempo passa. os dias, os anos.
eu na expectativa e tu desse lado, intransponível como casulo. 
não me sabes. não me vês. e afinal, não sabes quem sou. imaginas para mim mundos que não são o meu e resistes, persistes, sofres.
eu afinal, que sou tão igual a ti aos olhos de quase todos, não poderia ser mais diferente em tudo o resto. 
e resisto, persisto, sofro.
quero da vida uma coisa diferente. estou determinada em ser-me fiel e em fazer dos dias recordações luminosas. decidi ser outra coisa e descobri-me lá pelo meio. 
já viste que bonito?
e de rajada te digo o que sinto, o que penso. e de rajada te vejo cair escarpa abaixo, de rosto ensopado, como se de tempestade se tratasse. 
dizes que não podes forjar o que sentes. e tens razão. como sempre tiveste. mas eu também já não posso  fingir que sou essa, a outra que criámos ambas, aquela que não te diz o que precisa com medo de estragar o que é sempre tão frágil. 
acredito que há momentos que não nos pertencem. são dos outros, os que acabaram de conquistar uma medalha. e acredito que mesmo que os 100m barreira importem tanto como um saco de batatas, devemos reconhecer o que está em redor e celebrar como se fôssemos nós no pódio. mesmo que depois disso a vida siga igual. e é isso. é exactamente isso que me incomoda. porque é que é para ti tão indiferente aquilo que me faz feliz, mesmo que apenas de um papel se trate?
mas nós não sabemos falar uma com a outra.
e havemos de eternamente falhar redondamente naquilo que era suposto fazermos melhor. 
regressemos, pois, à existência banal dos jantares, das compras de supermercado, da conversa leve e dos dias sem problemas que tão bem sabemos navegar. onde eu existo deste lado e tu desse. em países diferentes. e onde não é preciso que nos reconheçamos de olhos fechados.
afinal, serei sempre a tua filha mais nova.




13 maio 2013

"não sei pintar amor sem ser da cor que enche tudo"

há dias em que tens de parar tudo, olhar em redor e absorver bem o que te está a acontecer. podem até ser dias feitos de coisas simples, mas são dias para relembrar, para dar valor.
acordar contigo nos meus braços, enquanto te aperto contra mim e sinto na pele do pescoço a tua respiração.
uma manhã simples, em que recebes a resposta que ansiavas e os nossos peitos se libertam e começam a respirar melhor. uma luz ao fundo. lágrimas grossas que não conténs, bochecha a baixo.
e ela, tão crescida todos os dias, a brincar no tapete, a inventar mundos a cada minuto e a ensinar-nos que a vida é tão bonita e está escondida nas coisas mais insignificantes. como o trautear de uma canção.
hoje é um dia para parar tudo. olhar em redor e absorver bem o que nos está a acontecer.

25 abril 2013

a felicidade alheia é uma coisa que assusta de morte os miseráveis. os infelizes.
ofende-os. maltrata-os.
como se lhe mostrasse onde jamais chegarão.


15 abril 2013

enamoramento e amor

viver-se enamorado das coisas e dos dias é viver-se num estado de quase-dormência, em que se levita de um minuto para o outro numa dança orgânica e bonita entre as horas e o que se sente cá dentro.
viver-se assim, enamorado e apaixonado, de coração a transbordar e sorriso a rebentar, é também dares-te conta de que só podes ser a pessoa mais sortuda.
e não, isto não é uma coisa dos primeiros dois meses. este é um estado que te acompanha há mais de um ano, que vive contigo diariamente e não deixa de te surpreender a cada dia, nas coisas mais simples e mundanas.
é foleiro falar de amor. é lamechas, é o que se quiser. 
mas aqui quem manda sou eu e fá-lo-ei sempre que me der na telha, sempre que estiver assim, de coração a rebentar pelas costuras.
e hoje é segunda-feira. e ainda agora a semana mais atarefada de trabalho do mês começou e eu já estou assim, de sorriso em riste.
é o sol?
também. mas essencialmente, é este Homem grandioso que irradia luz por onde quer que passe, este Homem que faz de um dia banal um dia inesquecível.
viver-se enamorado assim, é ter a melhor vida do mundo. 
e estou-me nas tintas se não tenho dinheiro, se estou cheia de trabalho, se hoje é segunda-feira.



12 abril 2013

quando for grande

quando for grande quero dar a volta ao mundo.
subir aos himalaias e tomar banho no pacífico.
encher um frasquinho com areia do sahara e descansar na ponte do rio kwai.
ler um livro no central park e beber um chocolate quente em frente ao louvre uma vez por ano.
quando for grande quero viajar. viajar. viajar.
quero tocar saber tocar um instrumento e ler uma pauta de música.
quando for grande, não quero um ordenado chorudo mas um porco-mealheiro.
quando for grande, quero esticar a língua à chuva e dançar de galochas. e sair com o sorriso de baixo do braço em dias de sol.
quando for grande, espero continuar assim feliz de cada vez que ponho a chave à porta para entrar em casa. com tanta saúde como uma alface vistosa.
contigo. com elas. com os outros todos e mais quem quiser aparecer.

vens comigo?

11 março 2013

e eu sei lá o que é que ajuda.

já não sei se escrever ajuda.
mas continuo malabarista, a tentar equilibrar a vida pelo menos 10 minutos por dia.
e esta, é a minha tentativa de hoje.

já não sei se escrever ajuda. e já não sei sequer se alguma coisa ajudará. [hoje deu-me p'ra isto, pronto]
escrever não vai diminuir as contas da luz e do gás. nem os impostos. nem resolver a bancarrota do país. escrever não vai encontrar-Lhe um trabalho espectacular nem tão pouco pagar-nos um ordenado melhor.
nem sequer vai fazer com que vamos de férias ou possamos comprar-Lhe uns ténis que não Lhe magoem os pés. muito menos vai pagar-nos a dívida exorbitante do carro.
e nem dá para uma ida ao supermercado.

não sei, honestamente, se escrever ajuda.
mas sei que me lembra do essencial.
deste amor bonito, grandioso, de joelhos a tremer e coração a saltar pela boca no coreto de um jardim bonito, com a música nossa por companhia e o rio tejo a escorrer bochechas abaixo.
destes amigos bestiais e de todos eles, em dias de chuva e sol. e da B. e da C. e do ? que aí vem na barriguinha da R. todos eles sorridentes e com saúde.
o resto...
são muros altos com musgo escorregadio. difíceis de ultrapassar.
por enquanto.
há de chegar a primavera, o calor, o verão. o musgo há de secar e havemos de nos sentar lá em cima, com uma perna de cada lado, a ver a vista.
havemos de dançar junto ao rio e de saber que ali reside tudo quanto é preciso.
e havemos de pagar a dívida. e havemos, sobretudo, de sobreviver.

um dia de cada vez.
uma dança de cada vez.
de mãos dadas.


escrever acabou por ajudar.


22 fevereiro 2013

dizes que já não falo do nosso amor.
mas o nosso amor fala por si.