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25 janeiro 2013

e eu que pensava já dominar a técnica...

de repente, de rompante, sem pedir licença nem autorização, enche-se o coração de amor, guardando lugar para mais um.
como no dia 15 de janeiro de 2011.
guardo agora também o dia 23 de janeiro de 2013.

e um sorriso largo, e um par de braços abertos à tua espera,
e um coração a transbordar.

boa viagem...bebé.


da tia malabarista.

dedicado à minha irmã de sempre, prestes a dar a volta ao mundo.

21 janeiro 2013

saudade.

do latim solitāte, «solidão», diz o dicionário que saudade é o  sentimento melancólico causado pela ausência ou pelo desaparecimento de pessoas ou coisas a que se estava afectivamente ligado, pelo afastamento de um lugar ou de uma época, ou pela privação de experiências agradáveis vividas anteriormente. 
e que "morrer de saudades" significa sentir muita falta de tudo isso.
calculo que padecer de saudades é uma condição universal, intemporal, que ultrapassa gerações, séculos, ultrapassa a própria história. 
do que concluo que sou, portanto, uma miúda normal. 
padeço de saudades. e sofro com elas. e dou comigo a ter saudades de quase tudo. até mesmo da manhã de há um bocado. 
saudades dos baloiços do jardim infantil: o foguetão, o balancé, o escorrega que me queimava as pernas em dias de sol. 
da avó Isaura.
do tio Manel.
dos verões de Legos na varanda e gincanas para as bicicletas, de joelhos esfolados na gravilha em frente ao portão.
do caminho para o liceu com os Oasis por companhia. os segredos envergonhados nas rampas para a sala de aula. 
do cheiro a bolo de iogurte na casa dos avós.
das férias os quatro apertados num Fiat Uno, Pirinéus acima, País Basco abaixo. 
da Lagoa de Santo André. 
de carradas de amigos bonitos. 
do primeiro Festival Músicas do Mundo. 
da Expo 98, e do ano de 2006.
do dia em que te conheci. do tempo que se seguiu. daquele baile. aquele concerto. 
do último verão. da Arrifana e do Meco.
da Concha, lá tão para sul. 
das mensagens no telemóvel a meio do trabalho e o coração a querer sair do peito.
do amanhecer dos últimos meses, de hoje.

caramba, sou uma miúda saudosista.
e nem por isso menos feliz.

a ciência? viver tudo ao milímetro. de coração escancarado ao mundo. 





28 dezembro 2012

chegar ao fim de mais um ano leva-te inevitavelmente à arrumação da casa.
este, foi um ano exigente.
um ano de decisões maiores que cidades, tão importantes quanto respiração. um ano de recordações surpreendentes. um ano difícil. e leve. e colorido. e a preto e branco. um ano de lágrimas espessas, de gargalhadas incontroláveis. um ano de contradições. de texturas, de camadas. de sentires. um ano inteiro de dias cheios, de coração cheio, de braços cheios.
um ano de transformações profundas. dentro e fora. de dentro para fora.

este, foi O ano.
e nem são precisas grandes explicações.
é mesmo assim. tu e eu sabemos bem, e cá dentro, e bem fundo.

feitas as contas, este foi o ano mais feliz da minha vida.
que o próximo seja só a continuação. e que as nossas vidas continuem assim mesmo, preenchidas de dias grandiosos, de poesia sentida, de música falada.

feliz ano novo*


12 dezembro 2012

de mãos abertas, contra o cimento.
as pernas tortas, bambas, penduradas na posição em que perderam a força e fizeram o corpo tombar grave no chão.
olhos semicerrados, braços esfolados. peito dorido.
boca seca, com palavras presas entre dentes. a voz rouca, nua, gasta.
lágrimas espessas, grossas, violentas contra as bochechas.

como boneca de trapos em fotografia a preto e branco.


21 novembro 2012

amor

lembro-me dos verões entre legos, bicicletas e correrias na rua de vossa casa. de jogar às escondidas de quintal para quintal, primeira liga do campeonato. a cabana feita de canas na horta. o cheiro a bolo de iogurte com sumo de laranja casa fora. a hora de entrar, para ver o mcgyver - mac givér como dizia ele.
os serões a ver "o lugar da história" no canal 2, em frente à lareira, com chá de cidreira.
as férias de campismo, na praia fluvial de coja, os incêncios ao fundo e o passarinho magoado que ele insistiu em trazer para lisboa e vocês carinhosamente deixaram.
a birra épica no escaroupim. a prenda de natal, antes de todas: um bloco e uma caneta com um panda na ponta "c'a ganda pocaria" disse. arrepender-me-ia para sempre, de lágrimas grossas sempre que me lembro.
a boneca que me trouxeram da áustria.
os passeios por lisboa, o primeiro passeio de eléctrico, até ao aquário vasco da gama.
aquela tarde no museu de arte antiga, com um cozido à portuguesa na tasca em frente.
o som do teclado da máquina de contabilidade dele e o roncar violento da máquina de costura dela, uma tarde inteira. tac tac tac tac. tsss tsss ttttt ttttt.
a mão forte, enquanto víamos televisão, em cima da minha. as festinhas nos cotovelos. os beijinhos-passarinho.
as aulas de condução na aroeira.
os passeios na golegã, o rio tejo e os sítios da vossa infância. o ribatejo.
os primeiros passos, segundo reza a história, numa tarde no estádio 1º de maio.
e as histórias intermináveis, ouvidas uma e outra e outra vez.
esta vida de recordações bonitas.

hoje observo-vos.
vejo um homem na contradição entre o alheamento total e a consciência plena de estar velho.
uma mulher amarga pela vida, demasiado cansada para dar valor ao que ainda tem e é tanto.
duas cabeças esquecidas, confusas, tristes, à espera. dois pares de mãos dadas. esse amor de sempre.
um vazio violento como garfo na barriga, sempre que vos visito.
eu na contradição de vos querer dizer tudo e não conseguir fazer nada.

cá dentro serão sempre a avó dos bolos e o avô das histórias que visitarei e guardarei no peito.
se for um dia um terço da avó que foram, saberei ser a melhor.




je vous aime.


ao avô Guia e à avó Lisa.

09 novembro 2012

luz boa

uma vida inteira no mesmo puzzle de ruas, nos mesmos quarteirões.
sabes de cor cada pedra da calçada, cada escrito na parede. dizes "olá" ao senhor do talho, "bom dia" à padeira. aproveitas e compras folhas quadriculadas na papelaria da dona são. o caminho para a escola todos os dias, várias vezes.
o coração bate até mais devagar sempre que lá voltas. abrandas. respiras melhor. estás em casa.

do meu novo bairro vê-se o rio ao fundo, lá em baixo, a espreitar por entre telhados e antenas. de tão perto, consegue até sentir-se a maresia em dias de nevoeiro. e ouvem-se os barcos ao longe, a avisar a passagem pela cidade.
uma luz brilhante invade as janelas de casa - essa casa tão bonita -, iluminando as paredes brancas, vazias, só à espera de nova história.
ao fundo da rua o quiosque para tabaco e jornal. a mercearia aberta até tarde, o cheiro a frango assado na rua de cima.
o jardim. esse jardim grande, discreto, guardador de segredos bonitos.
o som do eléctrico sobre os carris.
se esta cidade não for a mais bonita do mundo inteiro, será com certeza a mais bonita dentro de mim.
enamoro-me por ela todos os dias, sucessivamente, a cada rua, cada janela, cada recanto, cada árvore. estendo a língua à chuva e sorrio à luz brilhante.

e sinto o coração a bater mais devagar. a abrandar. respiro melhor.
estou em casa.




25 outubro 2012

a.cabeça.é.do.camandro.
andas meses a fio no limiar da estupidez, meses e dias em que só consegues ver o fio da navalha rente ao pescoço. as lágrimas que já não consegues segurar, por tudo e por nada. por nada e por tudo.
e depois, 
um dia de sol nasce. e tudo muda contigo.
as horas passam a ser quentes, impregnadas de luz, como um dia de praia que levas ao peito.
e num ápice, em legado de tudo saboreares livremente, preferes andar com medo de que algo mude e os dias voltem ao cinzento que eram.
a.cabeça.é.do.camandro.

deixa levar-te pela maré cheia.
liberta-te, malabarista. liberta-te...

a vida é bonita, os dias também. o que conta é o dia de hoje. 
amanhã, logo se vê.

19 outubro 2012

1 ano tem 365 dias.
8760 horas de vida que se renova.
525600 minutos de sorrisos, encontros, abraços, lágrimas.

1 ano de mais malabarista.






17 setembro 2012

[depois de 15 minutos a olhar inerte para o computador, sem saber como começar, e de olhos embaciados]


querem, a toda a força, fazer-te acreditar de que a vida não vale a pena.
e horas há em que quase te deixas levar por essa falácia.
o teu trabalho que afinal não tem valor, não serve para nada, que pode facilmente ser dispensado por mão de obra mais em conta. o corte colossal no que recebes ao fim do mês ou a ausência de salário há quase 3 meses. as contas estratégicas para ver o que sobra. o carro que se avaria e que lá está parado há 2 meses até que haja dinheiro para o arranjar. a casa emprestada onde vives e a incerteza de onde estarás daqui a 3 meses. - debaixo do eixo norte-sul, numa tenda?
sim, eles querem fazer-te acreditar que a vida, os dias, as horas, não valem a pena. sabem a amargo. daquele que corrói, destrói, queima.
querem que acredites que não vales nada.

[olhos embaciados de novo]

mas tu és mais teimosa que eles. hás de chorar descontroladamente sempre que precisares, para no minuto a seguir sorrires sem medos ao sol, ao mar. no melhor abraço do mundo, na dança mais bonita.
hás de lhes provar que a vida é muito mais do que contas, salários em atraso, contas da água e da luz, jantares requintados ou férias no brasil.
hás de lhes provar que a felicidade toda do mundo cabe no momento em que apesar de tudo e de todos, ele olha fundo nos teus olhos e te garante que hão de conseguir. que aquela será a mesinha que hão de trazer da viagem a marrocos, um dia destes. que num piscar de olhos estaremos em nossa casa, que estará coberta das recordações que traremos das viagens que fizermos e das fotografias que por lá tirarmos. a mesma casa que encheremos de amigos, de amor, de abraços, de lágrimas, de dias mais difíceis, de dias mais doces, a casa onde a-ela-mais-pequenina terá um quarto que encherá de posters quando for adolescente. um dia destes.
e ele segura-te com força, para que não caias agora, enquanto te fala, para que não caias nunca. segura-te para que tenhas a certeza profunda de que estejas onde estiveres, enquanto estiverem juntos estarão sempre em casa. e que o essencial, se encontra num simples mergulho na praia, num par de mãos dadas a olhar o pôr-do-sol, à beira de uma tenda, enquanto o arroz se faz no camping gas. num acordar leve, em manhã de inverno, em abraço protector. num sono tranquilo e profundo ao meu lado enquanto leio. num olhar cúmplice, no meio da multidão. numa dança ao som de concertina.

e tens a certeza de que a vida é muito maior do que te querem ensinar.
e todos os dias te vês transformar numa mulher mais bonita. a mais sortuda de todas.
e sabes, com a certeza concreta das coisas profundas, que nunca foste tão feliz. e que não serão os carros avariados, os salários em atraso, as contas para pagar e os impostos que te convencerão do contrário.
sabes, porque sentes.
e quem vive uma vida inteira sem sentir, nada poderá saber.



"Se queres fazer da tua vida um elo de eternidade e manteres-te lúcido até no meio do delírio, ama... Ama com todas as tuas forças, ama como se não soubesses fazer mais nada, ama até causares inveja a príncipes e deuses...[...]. Quem passar ao lado da mais bela história da sua vida só terá a idade dos seus remorsos, e nem todos os suspiros do mundo poderão embalar-lhe a alma..."

Yasmina Khadra
in "O que o dia deve à noite"




24 agosto 2012

a arte de ser feliz

a arte de ser feliz. a arte de fazer felizes os outros. eles. os de quem gostamos tanto.
a arte de saber viver assim, na passagem das horas e dos dias, com os bolsos sempre cheios e os sentidos alerta.
há quem a domine naturalmente, há quem vá aprendendo a dominá-la, há quem nunca o consiga.
ultimamente vivo assim, tonta, inebriada, atabalhoada - ainda mais do que o habitual - de tanto amor, de tão feliz, desta vida tão bonita de repente. desta vida atrevida, que sem permissão me invadiu o peito, a cabeça, o corpo, a casa, as manhãs, os fins-de-semana, as noites.
ser-se assim feliz, em pleno, de corpo e alma, até à mais ínfima fibra da pele, não é tarefa fácil. é preciso uma valente dose de coragem.
para se mudar o que é preciso. para se acabar com o que não faz falta. rompe-se de um só puxão a segurança do hábito, parte-se a normalidade, e os dias deixam de saber ao mesmo, deixam de ter previsão. a casa já não é a mesma, nem sequer a almofada que nos recebe à noite.
inspira-se profundamente e esticamos o peito para a frente, com a força que não usámos no tempo que gastámos até ali e concluímos que afinal de contas, aquela imagem gasta do espelho dos últimos tempos não passa de vapor do chuveiro.
que em cada um de nós reside toda a luz do mundo e que com os outros nos tornamos melhores.
assim, um minuto a seguir ao outro, um dia de cada vez, vamos aprendendo a felicidade. - sim! que também se aprende. e vamos aprendendo a liberdade. [como os meninos à volta da fogueira]
dito assim, mais parece citação de Osho.
mas não quero saber. porque não quero mesmo saber.

há lá coisa mais bonita do que ter encontrado uma vida nova? assim, com mensagens-poema a meio do trabalho, abraços a meio da noite, gargalhadas desenfreadas no meio da rua, danças bonitas no meio do coreto?

a arte de ser feliz com um olhar ao longe, com um sorriso cúmplice, com palavras em guardanapo no frigorífico, com piqueniques no jardim, com sestas na praia, com palavras cruzadas a dois, com grelhados à beira de uma tenda, com uma música que nos faz lembrar.
a arte de ser feliz nos dias normais.
e a arte de retribuir aos outros. eles. os de quem gostamos tanto.




["ai caramba que a miúda não se pode aturar de tão piegas."
não me lixem. aqui quem manda sou eu.]

16 agosto 2012

quando te perdem de vista ao primeiro embate,
o mundo desaba-te sobre os ombros, a testa, os pés, com a força violenta de uma tempestade em alto mar.
numa quase-tontura, perdes os sentidos, a razão, as certezas, perdes até o norte.
e ali ficas, à espera que a tempestade passe, te encontrem de novo e te reconheçam.
que saibam quem és e te segurem ao colo, te levem de volta a casa.



03 agosto 2012

o imenso mar


podia dizer-se tantas coisas sobre isto

fico-me pelo imenso mar. as férias imensas, de tão bonitas. as primeiras de muitas assim mesmo.
simples, memoráveis.

12 julho 2012

o teu primeiro ano

e os corações encheram-se de amor por ela.
a vida virou do avesso. girou com força e ficou mais bonita. mais luminosa.
faz hoje 1 ano que recebi o telefonema mais importante da minha vida. e esse momento, nunca se esquece.
o momento em que o coração rebenta de amor também não.
foi assim, no dia em que te conheci.
invadiste-nos os dias, a casa, os pensamentos, os corações.
nos teus 30 centímetros de gente ensinaste-me que a vida é de uma beleza infinita e que o essencial, se encontra nas coisas mais simples.
e decidi, naquele dia, não mais me conformar com a tristeza.
faz hoje 1 ano que sou tia. faz hoje também 1 ano que a mudança na minha vida começou.
[porque quando a tua perspectiva das coisas muda, tudo muda em teu redor.]

tu ali, tão pequenina. e já tão grande em todos nós.



Parabéns à Concha, a miúda mais bestial do mundo.

08 julho 2012

estou a começar a ficar muito zangada.
a avaria no computador. no carro. as contas. os problemas. a falta de soluções. aquilo que se estragou. aquilo que tem de se pagar. o dinheiro. o dinheiro. o dinheiro.
estou mesmo a começar a ficar muito zangada.
os dias bonitos e as coisas simples.
e logo a seguir.
pumba.de.rompante.p'ra.não.te.ires.habituando.muito.
uma porta que te embate na cara. a vida lá fora. a realidade que não dá tréguas. que não te deixa repousar. marinar. parar.
caramba.
agora é que estou mesmo a ficar muito zangada.


02 julho 2012

da simplicidade

a imensa felicidade das coisas simples.
um almoço improvisado entre duas mesas atabalhoadas e alguns vasos de flores numa varanda do subúrbio.
petiscos e coca-cola numa tasca barulhenta e escura.
gargalhadas descontroladas ao som de música pimba.
a companhia de amigos. uma fotografia-que-ficou-mesmo-bem-e-foi-um-acaso. banhos frios em praia fluvial. música bonita e tu que me convidas a dançá-la.
[o acordar de manhã ao teu lado.]
a praia. o mar. a maresia e o cheiro a creme solar. um prato de caracóis ao fim da tarde.
uma boleia: "passo aí p'ra te buscar".
um cigarro na varanda, debaixo da lua.
um abraço.
um recado dela. um recado dele.
o adormecer da bolinha de ânimo.
um convite para café.
uma mensagem no telefone.
um olhar. no meio de todos, sem ninguém saber, aquele olhar.
um bilhete de cinema, um bilhete de comboio.
línguas de gato.

[...]

a sublime felicidade das coisas simples, dos momentos bonitos e da - espero - constante capacidade de os saber reconhecer.