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25 outubro 2012

a.cabeça.é.do.camandro.
andas meses a fio no limiar da estupidez, meses e dias em que só consegues ver o fio da navalha rente ao pescoço. as lágrimas que já não consegues segurar, por tudo e por nada. por nada e por tudo.
e depois, 
um dia de sol nasce. e tudo muda contigo.
as horas passam a ser quentes, impregnadas de luz, como um dia de praia que levas ao peito.
e num ápice, em legado de tudo saboreares livremente, preferes andar com medo de que algo mude e os dias voltem ao cinzento que eram.
a.cabeça.é.do.camandro.

deixa levar-te pela maré cheia.
liberta-te, malabarista. liberta-te...

a vida é bonita, os dias também. o que conta é o dia de hoje. 
amanhã, logo se vê.

19 outubro 2012

1 ano tem 365 dias.
8760 horas de vida que se renova.
525600 minutos de sorrisos, encontros, abraços, lágrimas.

1 ano de mais malabarista.






17 setembro 2012

[depois de 15 minutos a olhar inerte para o computador, sem saber como começar, e de olhos embaciados]


querem, a toda a força, fazer-te acreditar de que a vida não vale a pena.
e horas há em que quase te deixas levar por essa falácia.
o teu trabalho que afinal não tem valor, não serve para nada, que pode facilmente ser dispensado por mão de obra mais em conta. o corte colossal no que recebes ao fim do mês ou a ausência de salário há quase 3 meses. as contas estratégicas para ver o que sobra. o carro que se avaria e que lá está parado há 2 meses até que haja dinheiro para o arranjar. a casa emprestada onde vives e a incerteza de onde estarás daqui a 3 meses. - debaixo do eixo norte-sul, numa tenda?
sim, eles querem fazer-te acreditar que a vida, os dias, as horas, não valem a pena. sabem a amargo. daquele que corrói, destrói, queima.
querem que acredites que não vales nada.

[olhos embaciados de novo]

mas tu és mais teimosa que eles. hás de chorar descontroladamente sempre que precisares, para no minuto a seguir sorrires sem medos ao sol, ao mar. no melhor abraço do mundo, na dança mais bonita.
hás de lhes provar que a vida é muito mais do que contas, salários em atraso, contas da água e da luz, jantares requintados ou férias no brasil.
hás de lhes provar que a felicidade toda do mundo cabe no momento em que apesar de tudo e de todos, ele olha fundo nos teus olhos e te garante que hão de conseguir. que aquela será a mesinha que hão de trazer da viagem a marrocos, um dia destes. que num piscar de olhos estaremos em nossa casa, que estará coberta das recordações que traremos das viagens que fizermos e das fotografias que por lá tirarmos. a mesma casa que encheremos de amigos, de amor, de abraços, de lágrimas, de dias mais difíceis, de dias mais doces, a casa onde a-ela-mais-pequenina terá um quarto que encherá de posters quando for adolescente. um dia destes.
e ele segura-te com força, para que não caias agora, enquanto te fala, para que não caias nunca. segura-te para que tenhas a certeza profunda de que estejas onde estiveres, enquanto estiverem juntos estarão sempre em casa. e que o essencial, se encontra num simples mergulho na praia, num par de mãos dadas a olhar o pôr-do-sol, à beira de uma tenda, enquanto o arroz se faz no camping gas. num acordar leve, em manhã de inverno, em abraço protector. num sono tranquilo e profundo ao meu lado enquanto leio. num olhar cúmplice, no meio da multidão. numa dança ao som de concertina.

e tens a certeza de que a vida é muito maior do que te querem ensinar.
e todos os dias te vês transformar numa mulher mais bonita. a mais sortuda de todas.
e sabes, com a certeza concreta das coisas profundas, que nunca foste tão feliz. e que não serão os carros avariados, os salários em atraso, as contas para pagar e os impostos que te convencerão do contrário.
sabes, porque sentes.
e quem vive uma vida inteira sem sentir, nada poderá saber.



"Se queres fazer da tua vida um elo de eternidade e manteres-te lúcido até no meio do delírio, ama... Ama com todas as tuas forças, ama como se não soubesses fazer mais nada, ama até causares inveja a príncipes e deuses...[...]. Quem passar ao lado da mais bela história da sua vida só terá a idade dos seus remorsos, e nem todos os suspiros do mundo poderão embalar-lhe a alma..."

Yasmina Khadra
in "O que o dia deve à noite"




24 agosto 2012

a arte de ser feliz

a arte de ser feliz. a arte de fazer felizes os outros. eles. os de quem gostamos tanto.
a arte de saber viver assim, na passagem das horas e dos dias, com os bolsos sempre cheios e os sentidos alerta.
há quem a domine naturalmente, há quem vá aprendendo a dominá-la, há quem nunca o consiga.
ultimamente vivo assim, tonta, inebriada, atabalhoada - ainda mais do que o habitual - de tanto amor, de tão feliz, desta vida tão bonita de repente. desta vida atrevida, que sem permissão me invadiu o peito, a cabeça, o corpo, a casa, as manhãs, os fins-de-semana, as noites.
ser-se assim feliz, em pleno, de corpo e alma, até à mais ínfima fibra da pele, não é tarefa fácil. é preciso uma valente dose de coragem.
para se mudar o que é preciso. para se acabar com o que não faz falta. rompe-se de um só puxão a segurança do hábito, parte-se a normalidade, e os dias deixam de saber ao mesmo, deixam de ter previsão. a casa já não é a mesma, nem sequer a almofada que nos recebe à noite.
inspira-se profundamente e esticamos o peito para a frente, com a força que não usámos no tempo que gastámos até ali e concluímos que afinal de contas, aquela imagem gasta do espelho dos últimos tempos não passa de vapor do chuveiro.
que em cada um de nós reside toda a luz do mundo e que com os outros nos tornamos melhores.
assim, um minuto a seguir ao outro, um dia de cada vez, vamos aprendendo a felicidade. - sim! que também se aprende. e vamos aprendendo a liberdade. [como os meninos à volta da fogueira]
dito assim, mais parece citação de Osho.
mas não quero saber. porque não quero mesmo saber.

há lá coisa mais bonita do que ter encontrado uma vida nova? assim, com mensagens-poema a meio do trabalho, abraços a meio da noite, gargalhadas desenfreadas no meio da rua, danças bonitas no meio do coreto?

a arte de ser feliz com um olhar ao longe, com um sorriso cúmplice, com palavras em guardanapo no frigorífico, com piqueniques no jardim, com sestas na praia, com palavras cruzadas a dois, com grelhados à beira de uma tenda, com uma música que nos faz lembrar.
a arte de ser feliz nos dias normais.
e a arte de retribuir aos outros. eles. os de quem gostamos tanto.




["ai caramba que a miúda não se pode aturar de tão piegas."
não me lixem. aqui quem manda sou eu.]

16 agosto 2012

quando te perdem de vista ao primeiro embate,
o mundo desaba-te sobre os ombros, a testa, os pés, com a força violenta de uma tempestade em alto mar.
numa quase-tontura, perdes os sentidos, a razão, as certezas, perdes até o norte.
e ali ficas, à espera que a tempestade passe, te encontrem de novo e te reconheçam.
que saibam quem és e te segurem ao colo, te levem de volta a casa.



03 agosto 2012

o imenso mar


podia dizer-se tantas coisas sobre isto

fico-me pelo imenso mar. as férias imensas, de tão bonitas. as primeiras de muitas assim mesmo.
simples, memoráveis.

12 julho 2012

o teu primeiro ano

e os corações encheram-se de amor por ela.
a vida virou do avesso. girou com força e ficou mais bonita. mais luminosa.
faz hoje 1 ano que recebi o telefonema mais importante da minha vida. e esse momento, nunca se esquece.
o momento em que o coração rebenta de amor também não.
foi assim, no dia em que te conheci.
invadiste-nos os dias, a casa, os pensamentos, os corações.
nos teus 30 centímetros de gente ensinaste-me que a vida é de uma beleza infinita e que o essencial, se encontra nas coisas mais simples.
e decidi, naquele dia, não mais me conformar com a tristeza.
faz hoje 1 ano que sou tia. faz hoje também 1 ano que a mudança na minha vida começou.
[porque quando a tua perspectiva das coisas muda, tudo muda em teu redor.]

tu ali, tão pequenina. e já tão grande em todos nós.



Parabéns à Concha, a miúda mais bestial do mundo.

08 julho 2012

estou a começar a ficar muito zangada.
a avaria no computador. no carro. as contas. os problemas. a falta de soluções. aquilo que se estragou. aquilo que tem de se pagar. o dinheiro. o dinheiro. o dinheiro.
estou mesmo a começar a ficar muito zangada.
os dias bonitos e as coisas simples.
e logo a seguir.
pumba.de.rompante.p'ra.não.te.ires.habituando.muito.
uma porta que te embate na cara. a vida lá fora. a realidade que não dá tréguas. que não te deixa repousar. marinar. parar.
caramba.
agora é que estou mesmo a ficar muito zangada.


02 julho 2012

da simplicidade

a imensa felicidade das coisas simples.
um almoço improvisado entre duas mesas atabalhoadas e alguns vasos de flores numa varanda do subúrbio.
petiscos e coca-cola numa tasca barulhenta e escura.
gargalhadas descontroladas ao som de música pimba.
a companhia de amigos. uma fotografia-que-ficou-mesmo-bem-e-foi-um-acaso. banhos frios em praia fluvial. música bonita e tu que me convidas a dançá-la.
[o acordar de manhã ao teu lado.]
a praia. o mar. a maresia e o cheiro a creme solar. um prato de caracóis ao fim da tarde.
uma boleia: "passo aí p'ra te buscar".
um cigarro na varanda, debaixo da lua.
um abraço.
um recado dela. um recado dele.
o adormecer da bolinha de ânimo.
um convite para café.
uma mensagem no telefone.
um olhar. no meio de todos, sem ninguém saber, aquele olhar.
um bilhete de cinema, um bilhete de comboio.
línguas de gato.

[...]

a sublime felicidade das coisas simples, dos momentos bonitos e da - espero - constante capacidade de os saber reconhecer.


24 maio 2012

da família

cá dentro, bem guardados no peito, trago comigo
todos os lugares por que passei
todas as vidas que vivi
trago comigo todos os minutos até esta hora
e trago sobretudo todas as pessoas que por mim passaram.
as que estiveram e ficaram, as que passaram de relâmpago, as que estão, as que vão estando, as que estarão para sempre e as que todos os dias vão estando mais e ficando mais.
como esta nova família tradicional, que de tradicional tem muito pouco, que me enche a cada dança, cada gargalhada, cada nova partilha. esta nova família de pessoas especiais, bonitas. onde aquilo que conta está muito para além do palpável. e onde a dança e a música, são só mais um meio de comunicação. através do qual conversamos e partilhamos o que de mais íntimo temos num abraço forte, luminoso.

porque afinal,
"o essencial é invisível aos olhos. só se vê bem com o coração."



22 maio 2012

a vida que se renova todos os dias.
uma vida nova a cada despertar.
é surpreendente.
"como crianças", dizes e com razão, a cada nova decoberta.

10 maio 2012

e olha, escrevo-te talvez na esperança de que um dia, por acaso, sorte, circunstância, aqui passes e aqui leias o que te quero mesmo dizer, o que sempre te quis dizer e não deixaste. ou o tempo não deixou.
escrevo-te essencialmente para te dizer que jamais quis que tudo acontecesse assim. que jamais vos perdi de vista, jamais vos magoei intencionalmente.
para te dizer também que não posso, nem vou, tolerar que me abanem com a força com que me abanaste e por isso fui embora. só por isso virei as costas. e se isso faz parte da nova malabarista, uma tal que já não conheces, que assim seja. porque esta sou eu agora. a malabarista que como toda a gente, erra. e erra valentemente, ou pouco, conforme o caso. mas que pede desculpa. sobretudo porque não o faz propositadamente. e seria bom que os meus amigos-família, como eram vocês, o soubessem.
e me não perdessem também de vista, assim, à velocidade da luz.
escrevo-te para te dizer que apesar de tudo o que foi dito, de tudo o que ficou por dizer, das lágrimas, da revolta, sobretudo da tristeza e da distância,
as saudades que tenho apertam-me com força o peito.
as saudades das risotas tontas, das partilhas grandes, das cantorias, da ternura.
as saudades vossas.
as tantas e tantas e tantas e tantas e tão grandes saudades dele, o pequenino, mais grandioso que o sol.
escrevo-te na esperança que passes por aqui e saibas que
vos penso
vos lembro
vos guardo.

até um dia.

e que até lá, os vossos dias sejam compostos por nada mais senão a melodia bonita de dias bons, solares, quentes.

30 abril 2012

o coração maior, muito maior, que todas as palavras do mundo.
o coração que parece querer rebentar pelas costuras mas que de alguma maneira parece conter sempre mais, todos os dias mais, a cada manhã maior.
as palavras todas do mundo que não chegarão nunca.
este meu coração que não sabia dar para tanto.
este meu coração envergonhado, atordoado, atabalhoado, adolescente, que tremelica de cada vez que te vê.
este meu coração renovado, que nasceu outra vez.




[falar de amor é cliché.
bem sei.
mas no estado em que estou, são-me permitidas todas as pirosices que quiser.]

23 abril 2012

triângulo

era uma vez um triângulo.

dois pontos paralelos no começo, ligados por uma recta delicada entre si, como quem dá as mãos e segue em frente.

na impossibilidade de seguir em paralelo - pois falamos de um triângulo - nascem duas outras rectas, desta feita consistentes, feitas de argamassa, que lentamente se vão encaminhando para o mesmo ponto solar, o topo do triângulo, como cume de montanha.



juntas, transformam-se agora num mesmo ponto, que aponta e foge para a frente.
com coragem, força, determinação.

juntos,
poderemos tudo.

18 abril 2012

lembranças

lembro-me
de quase termos desistido.
[lágrimas grossas, velozes, bochecha a baixo, numa manhã dura e azul]
lembro-me
de quase termos dito "não" a isto
[gritos mudos em casa de banho pública, escondida para que ninguém me soubesse]
lembro-me
do toque, em segredo, no meio da multidão, dos encontros secretos ao som de música bonita.
[dentes crivados, contra os lábios, num leve contorcer de desespero]
lembro-me
de cada degrau subido em desespero ao fim de uma noite de sentires maiores que o coração.
[as mãos trementes e a chave que não entra na porta]
lembro-me

e espero nunca me esquecer.

[para que saibamos sempre o que nos trouxe aqui]