fui visitar-te.
sem planear, de rompante. 6 exactos meses depois, alguma coisa - estou para adivinhar o quê - se apoderou das minhas mãos, até da minha vontade, e me guiou até ti. [uso propositado do verbo guiar ao invés de conduzir. explicação propositada. do nosso apelido. Guia]
tinha as flores do meu casamento, no passado fim-de-semana, comigo no carro. tirei uma rosa e levei-a comigo. na mão.
silêncio fundo. silêncio abafador. silêncio-calma.
palavras e palavras e mais palavras de amor em todas as direcções. filhos, noras, genros, sobrinhos, irmãos, maridos, todos com saudades.
continuei a andar. lembro-me que era lá bem ao fundo.
6 exactos meses depois e és um número espetado na terra. um estúpido número que te reduz a quase-nada. o coração a rebentar. um miserável número que não chega perto sequer de tudo e tanto que eras. és. serás sempre.
toma, uma rosa do meu casamento. trouxe-te uma recordação de um dia feliz onde fizeste falta.
ali à sombra há um banco. sento-me.
boa tarde. a menina veio visitar ali aquele número?
sim. o meu Avô.
senta-se ao meu lado. que conhece a minha mãe, foi directora de turma do filho. viu-a cá uma vez e decorou o local. nunca mais cá tinha visto ninguém. ai são parecidas, pois são.
que isto é um trabalho duro para quem não está habituado, hoje ainda tenho mais um. que depois uma pessoa habitua-se. e o filho, que está na covilhã. engenharia informática, se deus quiser há-de ter emprego. já dá aulas. e que tem um carro novo. era para mim, sabe. mas ele merecia mais...
isto a vida está difícil. as pessoas não têm tempo. alguns vêm cá todos os dias.
e eu que só queria 15 minutos de silêncio. sozinha contigo outra vez. a cidade lá fora.
e apercebo-me.
vim visitar-te e acabei por ficar todo o tempo num banco de madeira à sombra a conversar com um desconhecido que me contou um montão de histórias.
exactamente como tu farias. tal e qual. sem tirar nem pôr.
e apercebo-me. que vim conversar contigo. e que foi contigo que conversei.
enrolo um cigarro e baixo os óculos escuros da cabeça, para que não me veja os olhos. encharcados.
como se chama? aperto de mão. obrigada pela companhia. hei-de regressar.
ora essa, eu estou cá todos os dias. boa tarde! e um beijinho à sua mãe.
vive em mim uma malabarista com o mesmo nome que eu, cujo desejo é conseguir manobrar a vida com equilíbrio durante pelo menos 10 minutos por dia.
24 julho 2014
20 julho 2014
e foi o dia mais-que-perfeito.
praia, calor, mojitos e caipirinhas na areia. raquetes, baldes e bolas de praia.
amigos, família, amigos-família, uma grande família de amigos.
sorrisos, gargalhadas, votos de muita felicidade, energia boa a rodos.
[só faltaram as bolas de berlim.]
bailarico, a scotttishe dos noivos, a valsa dos noivos, a mazurka dos noivos. agora dança com a sogra, agora danço com o pai. olha para a câmara. e agora dançamos todos.
vem aí uma onda, mergulha.
e ele, sempre tão bonito, na imensidão do seu coração onde parece caber o mundo inteiro e mesmo assim dá sempre para mais.
nós todos, no dia mais bonito das nossas vidas. e a poder partilhá-lo com todos vocês.
somos sortudos. vivemos vidas luminosas.
praia, calor, mojitos e caipirinhas na areia. raquetes, baldes e bolas de praia.
amigos, família, amigos-família, uma grande família de amigos.
sorrisos, gargalhadas, votos de muita felicidade, energia boa a rodos.
[só faltaram as bolas de berlim.]
bailarico, a scotttishe dos noivos, a valsa dos noivos, a mazurka dos noivos. agora dança com a sogra, agora danço com o pai. olha para a câmara. e agora dançamos todos.
vem aí uma onda, mergulha.
e ele, sempre tão bonito, na imensidão do seu coração onde parece caber o mundo inteiro e mesmo assim dá sempre para mais.
nós todos, no dia mais bonito das nossas vidas. e a poder partilhá-lo com todos vocês.
somos sortudos. vivemos vidas luminosas.
15 julho 2014
19 de julho de 2014
diz que vai estar mau tempo. que chove. muitas nuvens, o dia todo. pode até trovejar.
estamos em julho. e tem estado um calor que não se pode.
esperas por este dia há 30 anos e vai chover. tudo o que querias era um dia descontraído com o que mais gostas: ele, praia, pessoas do coração, bolas de berlim, raquetes e castelos de areia. mas o sacana do tempo quer que chova.
ainda por cima o avô não vai estar cá para ver.
pensas: e agora?
... e agora aceitas que há coisas que estão fora do teu controlo e que o mais importante de tudo, o mais importante mesmo, é que vais dizer em frente ao teu mundo todo que queres passar o resto da tua vida a acordar ao lado dele. o mais importante de tudo, o mais importante mesmo, é que vais casar-te com o Homem mais bonito que alguma vez conhecerás e que vais poder partilhar esse dia com todas as pessoas que te preenchem o coração. seja lá como for, seja lá onde for.
estamos em julho. e tem estado um calor que não se pode.
esperas por este dia há 30 anos e vai chover. tudo o que querias era um dia descontraído com o que mais gostas: ele, praia, pessoas do coração, bolas de berlim, raquetes e castelos de areia. mas o sacana do tempo quer que chova.
ainda por cima o avô não vai estar cá para ver.
pensas: e agora?
... e agora aceitas que há coisas que estão fora do teu controlo e que o mais importante de tudo, o mais importante mesmo, é que vais dizer em frente ao teu mundo todo que queres passar o resto da tua vida a acordar ao lado dele. o mais importante de tudo, o mais importante mesmo, é que vais casar-te com o Homem mais bonito que alguma vez conhecerás e que vais poder partilhar esse dia com todas as pessoas que te preenchem o coração. seja lá como for, seja lá onde for.
30 maio 2014
do limite
no limiar. da garganta apertada, do nó e do vinco por baixo dos olhos.
as rugas, as olheiras, água por favor. quero água. e um lenço, já agora.
eu. ele. e os outros. eu e ele. eu e os outros. eu e tu. tu.
dias difíceis. no limiar. da garganta apertada, do nó e do vinco por baixo dos olhos.
um toque basta. um perfume. um olhar. duas palavras, uma canção.
não estás. não te vejo. não vais estar nem te vou ver.
dias difíceis. a cabeça que rebenta, o coração que aperta, a voz que embarga, o nó e o vinco por baixo dos olhos.
tu que não estás, tu que não voltas.
e eu aqui, a tentar perceber como é isto. isto da saudade. da dor, do nó e do vinco por baixo dos olhos.
dias difíceis. e mil sorrisos em como escolho ser feliz à mesma.
ai-quanto-apostas. é que não sei ser de outra forma. feliz à mesma. a lembrar-te, a saber que não voltas e no limiar. da garganta apertada, do nó e de tudo o resto. por baixo e à volta dos olhos. do coração em apuros e da cabeça congestionada.
não sei ser outra coisa do que mesmo-assim e sei que havias de concordar. "e estás boazinha? está tudo bem contigo? o que interessa é estares bem."
e olha, há dias em que não estou, mas são só dias, horas. isso que importa, na imensidão dos 30 anos que levamos, tu e eu? há dias maus, mas o que interessa é estar bem e sabes, estou mesmo.
são eles, os amigos e ele, o marido, que me seguram e tomam conta de mim. o resto da família, estamos todos bem. ela está tão crescida e "espertalhona" - como dizias. ela está bem, descansada. pinta as unhas, voltou a fazer crochet. dorme bem. visito-a todas as semanas.
e mil sorrisos em como escolho ser feliz à mesma. feliz a chorar, feliz quando estou triste. feliz porque esta vida boa é boa a valer. e há dias difíceis, pois há.
mas eu escolho ser feliz à mesma.
e acho que foste tu que me ensinaste a ser assim.
tu que foste sempre feliz à mesma.
as rugas, as olheiras, água por favor. quero água. e um lenço, já agora.
eu. ele. e os outros. eu e ele. eu e os outros. eu e tu. tu.
dias difíceis. no limiar. da garganta apertada, do nó e do vinco por baixo dos olhos.
um toque basta. um perfume. um olhar. duas palavras, uma canção.
não estás. não te vejo. não vais estar nem te vou ver.
dias difíceis. a cabeça que rebenta, o coração que aperta, a voz que embarga, o nó e o vinco por baixo dos olhos.
tu que não estás, tu que não voltas.
e eu aqui, a tentar perceber como é isto. isto da saudade. da dor, do nó e do vinco por baixo dos olhos.
dias difíceis. e mil sorrisos em como escolho ser feliz à mesma.
ai-quanto-apostas. é que não sei ser de outra forma. feliz à mesma. a lembrar-te, a saber que não voltas e no limiar. da garganta apertada, do nó e de tudo o resto. por baixo e à volta dos olhos. do coração em apuros e da cabeça congestionada.
não sei ser outra coisa do que mesmo-assim e sei que havias de concordar. "e estás boazinha? está tudo bem contigo? o que interessa é estares bem."
e olha, há dias em que não estou, mas são só dias, horas. isso que importa, na imensidão dos 30 anos que levamos, tu e eu? há dias maus, mas o que interessa é estar bem e sabes, estou mesmo.
são eles, os amigos e ele, o marido, que me seguram e tomam conta de mim. o resto da família, estamos todos bem. ela está tão crescida e "espertalhona" - como dizias. ela está bem, descansada. pinta as unhas, voltou a fazer crochet. dorme bem. visito-a todas as semanas.
e mil sorrisos em como escolho ser feliz à mesma. feliz a chorar, feliz quando estou triste. feliz porque esta vida boa é boa a valer. e há dias difíceis, pois há.
mas eu escolho ser feliz à mesma.
e acho que foste tu que me ensinaste a ser assim.
tu que foste sempre feliz à mesma.
29 maio 2014
para pôr atrás da porta
hoje é quinta-feira. a quinta-feira da espiga.
na tua terra, nesse ribatejo de lezírias, cavalos e cheias em tempo de chuva, hoje é feriado.
quando andava na escola primária, este era o único dia em que a mãe nos deixava faltar, para podermos ir convosco apanhar a espiga. havia piquenique, passeio pelo campo, arranhões nas pernas e muitas histórias de infância. como sempre.
depois fui crescendo mas mesmo assim, todos os anos me oferecias um raminho de espiga, para pôr atrás da porta. mesmo quando arranjei a minha própria casa.
este ano não tenho ninguém que me ofereça uma espiga.
mas vou arranjar uma. prometo.
23 maio 2014
o miradouro
há um sítio em lisboa que me faz sempre lembrar de ti. daquela tarde em que me levaste ao museu, devia ter uns 18 anos, e em que almoçámos cozido à portuguesa num restaurante pequenino do outro lado da rua, atravancados numa mesa para dois mesmo ao lado da porta, os carros a passar.
tivemos muitos dias desses, tu e eu.
não é o meu sítio preferido em lisboa. nem tão-pouco o mais bonito. mas faz-me sempre lembrar de ti.
passo lá todos os dias, a caminho de casa. e todos os dias me lembro de ti. e dessa tarde de primavera. tu e eu, no museu de arte antiga, depois do cozido à portuguesa. [ou teria sido antes?]
a falta que me fazes é do tamanho de 30 anos e de todas as ruas, todos os caminhos que percorremos. a pé, de bicicleta, de eléctrico. é do tamanho de lisboa, da golegã, da praia da costa e de tudo quando vivemos juntos. dá a volta à feira do livro e está escrita em todas as colecções de bolso europa-américa lá de casa.
a falta que me fazes, dá a a volta ao mundo e regressa sempre à casa de partida. onde estão as memórias, onde reside o amor.
tivemos muitos dias desses, tu e eu.
não é o meu sítio preferido em lisboa. nem tão-pouco o mais bonito. mas faz-me sempre lembrar de ti.
passo lá todos os dias, a caminho de casa. e todos os dias me lembro de ti. e dessa tarde de primavera. tu e eu, no museu de arte antiga, depois do cozido à portuguesa. [ou teria sido antes?]
a falta que me fazes é do tamanho de 30 anos e de todas as ruas, todos os caminhos que percorremos. a pé, de bicicleta, de eléctrico. é do tamanho de lisboa, da golegã, da praia da costa e de tudo quando vivemos juntos. dá a volta à feira do livro e está escrita em todas as colecções de bolso europa-américa lá de casa.
a falta que me fazes, dá a a volta ao mundo e regressa sempre à casa de partida. onde estão as memórias, onde reside o amor.
...
sabes que descobri há uns dias que existe uma rua em lisboa com o nosso nome?
tenho de lá ir tirar uma fotografia.
tenho de lá ir tirar uma fotografia.
21 maio 2014
a leveza dos 30
não sou de noitadas. não sou de festas, bebedeiras, música alta e excessos. não sou de festivais de verão, de super bock na mão e de concertos de rock alternativo.
também não sou de exposições de arte contemporânea, inaugurações de galerias ou de arte performativa. sou de teatro inteligente e de cinema francês.
estou k.o. às 03h da manhã e durmo até ao meio-dia.
não sou da latest trend in fashion, nem hipster, nem hippie-chick. sou de saias coloridas, de sapatos confortáveis e de franjas enviesadas.
não estou na moda.
não sou fixe.
não vivi lá fora, nem tive fuck-buddies.
sou provavelmente, aos teus olhos, uma lame-do-mais-boring-que-há.
gosto de concertinas e o som do violoncelo emociona-me. estou apaixonada pela minha casa e o que gosto mesmo é daquelas noites livres no sofá, por entre lãs, agulhas e mantas de crochet.
gosto de vinho tinto na companhia de amigos e uma boa conversa noite dentro. talvez uma ginja e um cigarro.
gosto de dançar a valsa.
e às quartas-feiras janto na casa dos meus pais.
pior que tudo, afinal diz que sou uma antiquada. vou casar-me. com ele. o ser mais luminoso que já conheci. e, guess what? também não está na moda. também não é de noitadas nem de rock alternativo. é a medida exacta de tudo o que eu sou.
aquilo que nos interessa mesmo? rir. rir muito. às gargalhadas, alto e todos os dias. por tudo e por nada.
e te garanto, somos exímios a consegui-lo. um espirro. um encontrão. qualquer razão é boa.
sou lame.
sou uma seca.
antiquada, fora de moda, velha.
mas sou tão, mas tão feliz assim.
também não sou de exposições de arte contemporânea, inaugurações de galerias ou de arte performativa. sou de teatro inteligente e de cinema francês.
estou k.o. às 03h da manhã e durmo até ao meio-dia.
não sou da latest trend in fashion, nem hipster, nem hippie-chick. sou de saias coloridas, de sapatos confortáveis e de franjas enviesadas.
não estou na moda.
não sou fixe.
não vivi lá fora, nem tive fuck-buddies.
sou provavelmente, aos teus olhos, uma lame-do-mais-boring-que-há.
gosto de concertinas e o som do violoncelo emociona-me. estou apaixonada pela minha casa e o que gosto mesmo é daquelas noites livres no sofá, por entre lãs, agulhas e mantas de crochet.
gosto de vinho tinto na companhia de amigos e uma boa conversa noite dentro. talvez uma ginja e um cigarro.
gosto de dançar a valsa.
e às quartas-feiras janto na casa dos meus pais.
pior que tudo, afinal diz que sou uma antiquada. vou casar-me. com ele. o ser mais luminoso que já conheci. e, guess what? também não está na moda. também não é de noitadas nem de rock alternativo. é a medida exacta de tudo o que eu sou.
aquilo que nos interessa mesmo? rir. rir muito. às gargalhadas, alto e todos os dias. por tudo e por nada.
e te garanto, somos exímios a consegui-lo. um espirro. um encontrão. qualquer razão é boa.
sou lame.
sou uma seca.
antiquada, fora de moda, velha.
mas sou tão, mas tão feliz assim.
19 maio 2014
se virmos bem, e nem é preciso muita atenção ao detalhe, somos completamente diferentes. a tua vida e a minha seguem caminhos tão distintos, que é cada vez mais difícil que se cruzem.
o problema é que, ultimamente, tenho questionado a minha vontade em persistir. e 30 anos depois, estou quase a concluir que já não me interessa mais isto entre nós. seja lá o que for.
porque é desigual, foi injusto uma vida inteira e não me faz feliz. pelo contrário, faz-me andar volta-não-volta a bater com a cabeça nas paredes a tentar entender o que é que afinal nos une.
falhaste-me. em momentos cruciais, em especial no último.
e o que me deixa mais triste, é que nem reparaste.
desta vez, nem te vou explicar.
o problema é que, ultimamente, tenho questionado a minha vontade em persistir. e 30 anos depois, estou quase a concluir que já não me interessa mais isto entre nós. seja lá o que for.
porque é desigual, foi injusto uma vida inteira e não me faz feliz. pelo contrário, faz-me andar volta-não-volta a bater com a cabeça nas paredes a tentar entender o que é que afinal nos une.
falhaste-me. em momentos cruciais, em especial no último.
e o que me deixa mais triste, é que nem reparaste.
desta vez, nem te vou explicar.
12 abril 2014
26 março 2014
da imbecilidade.
...e da frustração de não poder dizer-te o que mereces ouvir e ter de me refugiar neste espaço, para não correr o risco de explodir.
és um verdadeiro imbecil.
um merdas.
um mentecapto agarrado à tacanhez de uma mentalidade provinciana, portuguesinha, pequenina. de calças na mão, com medo que o sucesso alheio e as boas intenções terceiras te roubem a renda da casa.
o teu truque é simples: disseminar a malvadez e o pessimismo o mais que conseguires, até nos fazeres desistir. achas que assim conseguirás dominar o mundo. tu e aquela espécime de bruxa-má que contigo coabita.
lembras-me os piores ditadores, sabes. "pão e circo", já desde os tempos de Júlio César. (e não, não é o senhor do talho.) por mais mal que faças aos que te rodeiam, ficas sempre bem na figura. todos te aplaudem de pé, és ao mesmo tempo a vítima e o benfeitor. clap clap clap! há que atribuir-te crédito por isto.
certo, é que desconhecerás sempre algumas palavras do dicionário: partilha, divisão, espontaneidade, boa-vontade, felicidade.
sim, o teu maior problema, é que és um miserável e nós, por muito que tentes, seremos sempre mais felizes que tu.
és um imbecil.
um miserável.
mas dos meus sonhos não desisto.
e tu, hás de ter de aprender a viver com isso.
(suspiro profundo)
já disse o que precisava.
és um verdadeiro imbecil.
um merdas.
um mentecapto agarrado à tacanhez de uma mentalidade provinciana, portuguesinha, pequenina. de calças na mão, com medo que o sucesso alheio e as boas intenções terceiras te roubem a renda da casa.
o teu truque é simples: disseminar a malvadez e o pessimismo o mais que conseguires, até nos fazeres desistir. achas que assim conseguirás dominar o mundo. tu e aquela espécime de bruxa-má que contigo coabita.
lembras-me os piores ditadores, sabes. "pão e circo", já desde os tempos de Júlio César. (e não, não é o senhor do talho.) por mais mal que faças aos que te rodeiam, ficas sempre bem na figura. todos te aplaudem de pé, és ao mesmo tempo a vítima e o benfeitor. clap clap clap! há que atribuir-te crédito por isto.
certo, é que desconhecerás sempre algumas palavras do dicionário: partilha, divisão, espontaneidade, boa-vontade, felicidade.
sim, o teu maior problema, é que és um miserável e nós, por muito que tentes, seremos sempre mais felizes que tu.
és um imbecil.
um miserável.
mas dos meus sonhos não desisto.
e tu, hás de ter de aprender a viver com isso.
(suspiro profundo)
já disse o que precisava.
19 março 2014
continuar.
passaram exactamente 56 dias sobre aquele telefonema, cerca das 11h da manhã. e 62 desde a última vez que te vi. dei-te beijinhos e festas no cabelo branco e macio, disse 'adeus' e tu sorriste. como há muito tempo não via, aliás. voltei para casa animada, estavas bem.
hoje, 62 dias depois, olho para trás e penso que se calhar, de forma inconsciente, o universo permitiu que nos despedíssemos. e de forma carinhosa dissemos 'até sempre'.
digo que foi melhor assim. digo a toda a gente que foi melhor assim e convenço-me de que assim é que está bem. mas é uma grandecíssima mentira, não é? porque uma vida onde tu não existes não pode ser melhor assim. porque NÃO É melhor assim não poder falar-te, ouvir-te, saber de ti.
hoje é dia do Pai. a mãe prestou-te uma homenagem bonita e eu, atónita pela surpresa, não pude conter as lágrimas, espécie de ondas em dia de tempestade.
ali estavas. sorridente, animado, o meu Avô, em dia de celebração de leituras, gosto que soubeste cativar em todos nós.
e assim como quem não quer a coisa, apercebi-me de que isto da dor, da saudade, do amor, é um caminho enorme e constante, que não sei bem se tem um fim.
e que eu, a tua neta, a quem ensinaste a conduzir, a mergulhar e até a andar, a que levaste ao Museu de Arte Antiga num dia de cozido à portuguesa na tasca do outro lado da rua, a quem mostraste como Lisboa é mais bonita vista do eléctrico onde trabalhaste, a neta com quem dançaste na festa do clube de campistas do Entrocamento, e a quem contaste histórias do Tejo quando eras miúdo, ainda está apenas no início do trajecto.
porque as saudades que tenho tuas são imensas e a realização a sério de que não te terei mais começa agora a instalar-se aos poucos, como faca aguçada.
hoje é dia do Pai. e para mim, dia do Avô também. porque não existe um sem o outro. e tu, foste exímio em ambos.
vou continuar a falar contigo, está bem?
hoje, 62 dias depois, olho para trás e penso que se calhar, de forma inconsciente, o universo permitiu que nos despedíssemos. e de forma carinhosa dissemos 'até sempre'.
digo que foi melhor assim. digo a toda a gente que foi melhor assim e convenço-me de que assim é que está bem. mas é uma grandecíssima mentira, não é? porque uma vida onde tu não existes não pode ser melhor assim. porque NÃO É melhor assim não poder falar-te, ouvir-te, saber de ti.
hoje é dia do Pai. a mãe prestou-te uma homenagem bonita e eu, atónita pela surpresa, não pude conter as lágrimas, espécie de ondas em dia de tempestade.
ali estavas. sorridente, animado, o meu Avô, em dia de celebração de leituras, gosto que soubeste cativar em todos nós.
e assim como quem não quer a coisa, apercebi-me de que isto da dor, da saudade, do amor, é um caminho enorme e constante, que não sei bem se tem um fim.
e que eu, a tua neta, a quem ensinaste a conduzir, a mergulhar e até a andar, a que levaste ao Museu de Arte Antiga num dia de cozido à portuguesa na tasca do outro lado da rua, a quem mostraste como Lisboa é mais bonita vista do eléctrico onde trabalhaste, a neta com quem dançaste na festa do clube de campistas do Entrocamento, e a quem contaste histórias do Tejo quando eras miúdo, ainda está apenas no início do trajecto.
porque as saudades que tenho tuas são imensas e a realização a sério de que não te terei mais começa agora a instalar-se aos poucos, como faca aguçada.
hoje é dia do Pai. e para mim, dia do Avô também. porque não existe um sem o outro. e tu, foste exímio em ambos.
vou continuar a falar contigo, está bem?
11 março 2014
15 fevereiro 2014
estavas em todo o lado.
ando para te escrever há uns dias.
preciso de continuar a falar contigo e sobre ti. sobretudo, quero continuar a falar contigo e sobre ti.
o problema é que sempre que tento começar a escrever alguma coisa, uma onda grande, de maré-alta, assalta-me o peito e prende-me os dedos. sinto as têmporas atadas em nó-cego e permaneço imóvel. sentada num sítio qualquer que de repente esqueço o nome. inerte. em frente a um computador como uma folha de papel a fingir. a olhar em frente mas sem nada conseguir focar.
hoje visitei a tua casa pela primeira vez desde que já não há possibilidade de lá voltares. vi-te em todo o lado. nos espinafres do quintal, no limoeiro, no teu escritório de papéis-papéis-papéis. na fechadura que em tempos arranjaste, na tampa da caixa de correio que há anos caía ao chão sempre que de lá se tirava alguma coisa. no banco onde nos sentávamos à conversa em dias de calor, nas flores, na palmeira que quiseste plantar quando tinha uns 8 anos. nas paredes. no muro. no telhado. nas janelas. estavas em todo o lado.
tanto e tão intensamente, que quase podia jurar que te vi, à minha espera, a abrir o portão.
ando para te escrever há uns dias.
mas ainda não é hoje.
preciso de continuar a falar contigo e sobre ti. sobretudo, quero continuar a falar contigo e sobre ti.
o problema é que sempre que tento começar a escrever alguma coisa, uma onda grande, de maré-alta, assalta-me o peito e prende-me os dedos. sinto as têmporas atadas em nó-cego e permaneço imóvel. sentada num sítio qualquer que de repente esqueço o nome. inerte. em frente a um computador como uma folha de papel a fingir. a olhar em frente mas sem nada conseguir focar.
hoje visitei a tua casa pela primeira vez desde que já não há possibilidade de lá voltares. vi-te em todo o lado. nos espinafres do quintal, no limoeiro, no teu escritório de papéis-papéis-papéis. na fechadura que em tempos arranjaste, na tampa da caixa de correio que há anos caía ao chão sempre que de lá se tirava alguma coisa. no banco onde nos sentávamos à conversa em dias de calor, nas flores, na palmeira que quiseste plantar quando tinha uns 8 anos. nas paredes. no muro. no telhado. nas janelas. estavas em todo o lado.
tanto e tão intensamente, que quase podia jurar que te vi, à minha espera, a abrir o portão.
ando para te escrever há uns dias.
mas ainda não é hoje.
31 dezembro 2013
ano novo
não me lixem.
a mudança do ano não muda a vida. e a vida não muda com a mudança do ano.
é só a vulgar passagem de um minuto para o outro.
59...01. já está.
o que muda a vida são aqueles momentos que ficam gravados para sempre debaixo da pele. aqueles que duram mais do que um minuto, mesmo que apenas de um minuto se tratem.
o primeiro beijo. uma reconciliação. a perda irrevogável de alguém que amas. uma vida nova. o momento em que te dizem que conseguiste o emprego dos teus sonhos. o jackpot no euromilhões. um pôr-do-sol de verão e um abraço quente.
um amor à primeira vista. um adeus para sempre. uma revolução ganha pelo povo nas ruas a cantar a pulmões cheios. aquele concerto no coliseu. um reencontro.
e no resto do tempo... que saibamos apreciar o essencial.
a mudança do ano não muda a vida. e a vida não muda com a mudança do ano.
é só a vulgar passagem de um minuto para o outro.
59...01. já está.
o que muda a vida são aqueles momentos que ficam gravados para sempre debaixo da pele. aqueles que duram mais do que um minuto, mesmo que apenas de um minuto se tratem.
o primeiro beijo. uma reconciliação. a perda irrevogável de alguém que amas. uma vida nova. o momento em que te dizem que conseguiste o emprego dos teus sonhos. o jackpot no euromilhões. um pôr-do-sol de verão e um abraço quente.
um amor à primeira vista. um adeus para sempre. uma revolução ganha pelo povo nas ruas a cantar a pulmões cheios. aquele concerto no coliseu. um reencontro.
e no resto do tempo... que saibamos apreciar o essencial.
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