não sou de noitadas. não sou de festas, bebedeiras, música alta e excessos. não sou de festivais de verão, de super bock na mão e de concertos de rock alternativo.
também não sou de exposições de arte contemporânea, inaugurações de galerias ou de arte performativa. sou de teatro inteligente e de cinema francês.
estou k.o. às 03h da manhã e durmo até ao meio-dia.
não sou da latest trend in fashion, nem hipster, nem hippie-chick. sou de saias coloridas, de sapatos confortáveis e de franjas enviesadas.
não estou na moda.
não sou fixe.
não vivi lá fora, nem tive fuck-buddies.
sou provavelmente, aos teus olhos, uma lame-do-mais-boring-que-há.
gosto de concertinas e o som do violoncelo emociona-me. estou apaixonada pela minha casa e o que gosto mesmo é daquelas noites livres no sofá, por entre lãs, agulhas e mantas de crochet.
gosto de vinho tinto na companhia de amigos e uma boa conversa noite dentro. talvez uma ginja e um cigarro.
gosto de dançar a valsa.
e às quartas-feiras janto na casa dos meus pais.
pior que tudo, afinal diz que sou uma antiquada. vou casar-me. com ele. o ser mais luminoso que já conheci. e, guess what? também não está na moda. também não é de noitadas nem de rock alternativo. é a medida exacta de tudo o que eu sou.
aquilo que nos interessa mesmo? rir. rir muito. às gargalhadas, alto e todos os dias. por tudo e por nada.
e te garanto, somos exímios a consegui-lo. um espirro. um encontrão. qualquer razão é boa.
sou lame.
sou uma seca.
antiquada, fora de moda, velha.
mas sou tão, mas tão feliz assim.
vive em mim uma malabarista com o mesmo nome que eu, cujo desejo é conseguir manobrar a vida com equilíbrio durante pelo menos 10 minutos por dia.
21 maio 2014
19 maio 2014
se virmos bem, e nem é preciso muita atenção ao detalhe, somos completamente diferentes. a tua vida e a minha seguem caminhos tão distintos, que é cada vez mais difícil que se cruzem.
o problema é que, ultimamente, tenho questionado a minha vontade em persistir. e 30 anos depois, estou quase a concluir que já não me interessa mais isto entre nós. seja lá o que for.
porque é desigual, foi injusto uma vida inteira e não me faz feliz. pelo contrário, faz-me andar volta-não-volta a bater com a cabeça nas paredes a tentar entender o que é que afinal nos une.
falhaste-me. em momentos cruciais, em especial no último.
e o que me deixa mais triste, é que nem reparaste.
desta vez, nem te vou explicar.
o problema é que, ultimamente, tenho questionado a minha vontade em persistir. e 30 anos depois, estou quase a concluir que já não me interessa mais isto entre nós. seja lá o que for.
porque é desigual, foi injusto uma vida inteira e não me faz feliz. pelo contrário, faz-me andar volta-não-volta a bater com a cabeça nas paredes a tentar entender o que é que afinal nos une.
falhaste-me. em momentos cruciais, em especial no último.
e o que me deixa mais triste, é que nem reparaste.
desta vez, nem te vou explicar.
12 abril 2014
26 março 2014
da imbecilidade.
...e da frustração de não poder dizer-te o que mereces ouvir e ter de me refugiar neste espaço, para não correr o risco de explodir.
és um verdadeiro imbecil.
um merdas.
um mentecapto agarrado à tacanhez de uma mentalidade provinciana, portuguesinha, pequenina. de calças na mão, com medo que o sucesso alheio e as boas intenções terceiras te roubem a renda da casa.
o teu truque é simples: disseminar a malvadez e o pessimismo o mais que conseguires, até nos fazeres desistir. achas que assim conseguirás dominar o mundo. tu e aquela espécime de bruxa-má que contigo coabita.
lembras-me os piores ditadores, sabes. "pão e circo", já desde os tempos de Júlio César. (e não, não é o senhor do talho.) por mais mal que faças aos que te rodeiam, ficas sempre bem na figura. todos te aplaudem de pé, és ao mesmo tempo a vítima e o benfeitor. clap clap clap! há que atribuir-te crédito por isto.
certo, é que desconhecerás sempre algumas palavras do dicionário: partilha, divisão, espontaneidade, boa-vontade, felicidade.
sim, o teu maior problema, é que és um miserável e nós, por muito que tentes, seremos sempre mais felizes que tu.
és um imbecil.
um miserável.
mas dos meus sonhos não desisto.
e tu, hás de ter de aprender a viver com isso.
(suspiro profundo)
já disse o que precisava.
és um verdadeiro imbecil.
um merdas.
um mentecapto agarrado à tacanhez de uma mentalidade provinciana, portuguesinha, pequenina. de calças na mão, com medo que o sucesso alheio e as boas intenções terceiras te roubem a renda da casa.
o teu truque é simples: disseminar a malvadez e o pessimismo o mais que conseguires, até nos fazeres desistir. achas que assim conseguirás dominar o mundo. tu e aquela espécime de bruxa-má que contigo coabita.
lembras-me os piores ditadores, sabes. "pão e circo", já desde os tempos de Júlio César. (e não, não é o senhor do talho.) por mais mal que faças aos que te rodeiam, ficas sempre bem na figura. todos te aplaudem de pé, és ao mesmo tempo a vítima e o benfeitor. clap clap clap! há que atribuir-te crédito por isto.
certo, é que desconhecerás sempre algumas palavras do dicionário: partilha, divisão, espontaneidade, boa-vontade, felicidade.
sim, o teu maior problema, é que és um miserável e nós, por muito que tentes, seremos sempre mais felizes que tu.
és um imbecil.
um miserável.
mas dos meus sonhos não desisto.
e tu, hás de ter de aprender a viver com isso.
(suspiro profundo)
já disse o que precisava.
19 março 2014
continuar.
passaram exactamente 56 dias sobre aquele telefonema, cerca das 11h da manhã. e 62 desde a última vez que te vi. dei-te beijinhos e festas no cabelo branco e macio, disse 'adeus' e tu sorriste. como há muito tempo não via, aliás. voltei para casa animada, estavas bem.
hoje, 62 dias depois, olho para trás e penso que se calhar, de forma inconsciente, o universo permitiu que nos despedíssemos. e de forma carinhosa dissemos 'até sempre'.
digo que foi melhor assim. digo a toda a gente que foi melhor assim e convenço-me de que assim é que está bem. mas é uma grandecíssima mentira, não é? porque uma vida onde tu não existes não pode ser melhor assim. porque NÃO É melhor assim não poder falar-te, ouvir-te, saber de ti.
hoje é dia do Pai. a mãe prestou-te uma homenagem bonita e eu, atónita pela surpresa, não pude conter as lágrimas, espécie de ondas em dia de tempestade.
ali estavas. sorridente, animado, o meu Avô, em dia de celebração de leituras, gosto que soubeste cativar em todos nós.
e assim como quem não quer a coisa, apercebi-me de que isto da dor, da saudade, do amor, é um caminho enorme e constante, que não sei bem se tem um fim.
e que eu, a tua neta, a quem ensinaste a conduzir, a mergulhar e até a andar, a que levaste ao Museu de Arte Antiga num dia de cozido à portuguesa na tasca do outro lado da rua, a quem mostraste como Lisboa é mais bonita vista do eléctrico onde trabalhaste, a neta com quem dançaste na festa do clube de campistas do Entrocamento, e a quem contaste histórias do Tejo quando eras miúdo, ainda está apenas no início do trajecto.
porque as saudades que tenho tuas são imensas e a realização a sério de que não te terei mais começa agora a instalar-se aos poucos, como faca aguçada.
hoje é dia do Pai. e para mim, dia do Avô também. porque não existe um sem o outro. e tu, foste exímio em ambos.
vou continuar a falar contigo, está bem?
hoje, 62 dias depois, olho para trás e penso que se calhar, de forma inconsciente, o universo permitiu que nos despedíssemos. e de forma carinhosa dissemos 'até sempre'.
digo que foi melhor assim. digo a toda a gente que foi melhor assim e convenço-me de que assim é que está bem. mas é uma grandecíssima mentira, não é? porque uma vida onde tu não existes não pode ser melhor assim. porque NÃO É melhor assim não poder falar-te, ouvir-te, saber de ti.
hoje é dia do Pai. a mãe prestou-te uma homenagem bonita e eu, atónita pela surpresa, não pude conter as lágrimas, espécie de ondas em dia de tempestade.
ali estavas. sorridente, animado, o meu Avô, em dia de celebração de leituras, gosto que soubeste cativar em todos nós.
e assim como quem não quer a coisa, apercebi-me de que isto da dor, da saudade, do amor, é um caminho enorme e constante, que não sei bem se tem um fim.
e que eu, a tua neta, a quem ensinaste a conduzir, a mergulhar e até a andar, a que levaste ao Museu de Arte Antiga num dia de cozido à portuguesa na tasca do outro lado da rua, a quem mostraste como Lisboa é mais bonita vista do eléctrico onde trabalhaste, a neta com quem dançaste na festa do clube de campistas do Entrocamento, e a quem contaste histórias do Tejo quando eras miúdo, ainda está apenas no início do trajecto.
porque as saudades que tenho tuas são imensas e a realização a sério de que não te terei mais começa agora a instalar-se aos poucos, como faca aguçada.
hoje é dia do Pai. e para mim, dia do Avô também. porque não existe um sem o outro. e tu, foste exímio em ambos.
vou continuar a falar contigo, está bem?
11 março 2014
15 fevereiro 2014
estavas em todo o lado.
ando para te escrever há uns dias.
preciso de continuar a falar contigo e sobre ti. sobretudo, quero continuar a falar contigo e sobre ti.
o problema é que sempre que tento começar a escrever alguma coisa, uma onda grande, de maré-alta, assalta-me o peito e prende-me os dedos. sinto as têmporas atadas em nó-cego e permaneço imóvel. sentada num sítio qualquer que de repente esqueço o nome. inerte. em frente a um computador como uma folha de papel a fingir. a olhar em frente mas sem nada conseguir focar.
hoje visitei a tua casa pela primeira vez desde que já não há possibilidade de lá voltares. vi-te em todo o lado. nos espinafres do quintal, no limoeiro, no teu escritório de papéis-papéis-papéis. na fechadura que em tempos arranjaste, na tampa da caixa de correio que há anos caía ao chão sempre que de lá se tirava alguma coisa. no banco onde nos sentávamos à conversa em dias de calor, nas flores, na palmeira que quiseste plantar quando tinha uns 8 anos. nas paredes. no muro. no telhado. nas janelas. estavas em todo o lado.
tanto e tão intensamente, que quase podia jurar que te vi, à minha espera, a abrir o portão.
ando para te escrever há uns dias.
mas ainda não é hoje.
preciso de continuar a falar contigo e sobre ti. sobretudo, quero continuar a falar contigo e sobre ti.
o problema é que sempre que tento começar a escrever alguma coisa, uma onda grande, de maré-alta, assalta-me o peito e prende-me os dedos. sinto as têmporas atadas em nó-cego e permaneço imóvel. sentada num sítio qualquer que de repente esqueço o nome. inerte. em frente a um computador como uma folha de papel a fingir. a olhar em frente mas sem nada conseguir focar.
hoje visitei a tua casa pela primeira vez desde que já não há possibilidade de lá voltares. vi-te em todo o lado. nos espinafres do quintal, no limoeiro, no teu escritório de papéis-papéis-papéis. na fechadura que em tempos arranjaste, na tampa da caixa de correio que há anos caía ao chão sempre que de lá se tirava alguma coisa. no banco onde nos sentávamos à conversa em dias de calor, nas flores, na palmeira que quiseste plantar quando tinha uns 8 anos. nas paredes. no muro. no telhado. nas janelas. estavas em todo o lado.
tanto e tão intensamente, que quase podia jurar que te vi, à minha espera, a abrir o portão.
ando para te escrever há uns dias.
mas ainda não é hoje.
31 dezembro 2013
ano novo
não me lixem.
a mudança do ano não muda a vida. e a vida não muda com a mudança do ano.
é só a vulgar passagem de um minuto para o outro.
59...01. já está.
o que muda a vida são aqueles momentos que ficam gravados para sempre debaixo da pele. aqueles que duram mais do que um minuto, mesmo que apenas de um minuto se tratem.
o primeiro beijo. uma reconciliação. a perda irrevogável de alguém que amas. uma vida nova. o momento em que te dizem que conseguiste o emprego dos teus sonhos. o jackpot no euromilhões. um pôr-do-sol de verão e um abraço quente.
um amor à primeira vista. um adeus para sempre. uma revolução ganha pelo povo nas ruas a cantar a pulmões cheios. aquele concerto no coliseu. um reencontro.
e no resto do tempo... que saibamos apreciar o essencial.
a mudança do ano não muda a vida. e a vida não muda com a mudança do ano.
é só a vulgar passagem de um minuto para o outro.
59...01. já está.
o que muda a vida são aqueles momentos que ficam gravados para sempre debaixo da pele. aqueles que duram mais do que um minuto, mesmo que apenas de um minuto se tratem.
o primeiro beijo. uma reconciliação. a perda irrevogável de alguém que amas. uma vida nova. o momento em que te dizem que conseguiste o emprego dos teus sonhos. o jackpot no euromilhões. um pôr-do-sol de verão e um abraço quente.
um amor à primeira vista. um adeus para sempre. uma revolução ganha pelo povo nas ruas a cantar a pulmões cheios. aquele concerto no coliseu. um reencontro.
e no resto do tempo... que saibamos apreciar o essencial.
23 dezembro 2013
espírito de natal
nunca percebi muito bem as pessoas que, ao chegar o natal, e tendo passado por algum momento menos bom nas suas vidas recentemente - ou não - se deixavam abater por um desânimo acabrunhado.
uma depressão que as impedia de apreciar esta "época tão bonita e alegre". que as tornava feias. que as tornava tristes.
nunca entendi porque, de um momento para o outro, tinham deixado de gostar do natal e da companhia dos outros. das crianças a rasgar papel de embrulho, das luzes foleiras, das filhozes, e acima de tudo,
das músicas de natal.
porque é que, apesar de tudo, não conseguiam passar por cima do que acontecera. nem que por breves instantes.
nunca percebi.
até que o ano de hoje chegou e se prantou com a fúria de um tornado diante de mim, olhando-me de frente, ameaçador.
e as músicas começaram a tocar, como de costume. como sempre. sabe-las de cor. essas músicas que me inundam os ouvidos de memórias - só memórias - como um achincalhar de coração, como que a dizer-me que a vida não pára, que segue em frente, voraz e incontrolável e que não haverá nunca mais nenhum natal como aqueles.
os das músicas. os das memórias.
da lareira, dos embrulhos dele, das filhozes de abóbora dela, do pão no forno a lenha, de nós.
que, enquanto finjo estar tudo bem, como sempre e como dantes, num esforço sobre-humano e em grupo, ele há de estar sozinho num quarto de uma casa que não é a dele, alheio ao mundo e a tudo, num voo alto e para cada vez mais longe. e ela, sozinha na cama de um qualquer quarto de hospital, consciente de que dia é e de tudo o que se passa, da queda a pique e da velocidade da luz que leva a vida.
e pela primeira vez, percebo.
bem fundo, como um tridente constante na garganta e um rufar de tambores no peito, entendo finalmente o que é sentir tanto-tanto, que não cabe em palavras nem se mede em palmos. e cresce a azia. e afundo-me em lágrimas. e contenho soluços a cada minuto.
e agora já sei o que é querer só que este dia passe. que se arrumem os enfeites. que se acabem os restos, que se cale a música. essa infernal música que promete aquilo que não pode cumprir.
e compreendo, profunda e dolorosamente, como fui egoísta até agora.
este ano, sou eu que não sei celebrar o natal.
uma depressão que as impedia de apreciar esta "época tão bonita e alegre". que as tornava feias. que as tornava tristes.
nunca entendi porque, de um momento para o outro, tinham deixado de gostar do natal e da companhia dos outros. das crianças a rasgar papel de embrulho, das luzes foleiras, das filhozes, e acima de tudo,
das músicas de natal.
porque é que, apesar de tudo, não conseguiam passar por cima do que acontecera. nem que por breves instantes.
nunca percebi.
até que o ano de hoje chegou e se prantou com a fúria de um tornado diante de mim, olhando-me de frente, ameaçador.
e as músicas começaram a tocar, como de costume. como sempre. sabe-las de cor. essas músicas que me inundam os ouvidos de memórias - só memórias - como um achincalhar de coração, como que a dizer-me que a vida não pára, que segue em frente, voraz e incontrolável e que não haverá nunca mais nenhum natal como aqueles.
os das músicas. os das memórias.
da lareira, dos embrulhos dele, das filhozes de abóbora dela, do pão no forno a lenha, de nós.
que, enquanto finjo estar tudo bem, como sempre e como dantes, num esforço sobre-humano e em grupo, ele há de estar sozinho num quarto de uma casa que não é a dele, alheio ao mundo e a tudo, num voo alto e para cada vez mais longe. e ela, sozinha na cama de um qualquer quarto de hospital, consciente de que dia é e de tudo o que se passa, da queda a pique e da velocidade da luz que leva a vida.
e pela primeira vez, percebo.
bem fundo, como um tridente constante na garganta e um rufar de tambores no peito, entendo finalmente o que é sentir tanto-tanto, que não cabe em palavras nem se mede em palmos. e cresce a azia. e afundo-me em lágrimas. e contenho soluços a cada minuto.
e agora já sei o que é querer só que este dia passe. que se arrumem os enfeites. que se acabem os restos, que se cale a música. essa infernal música que promete aquilo que não pode cumprir.
e compreendo, profunda e dolorosamente, como fui egoísta até agora.
este ano, sou eu que não sei celebrar o natal.
19 novembro 2013
gosto-vos tanto.
e sim, é mesmo assim que quero começar. afinal, a isto tudo se resume.
gosto-vos tanto, e com tanta força que é quase violento visitar-vos agora. um murro no abdómen de cada vez que vos encontro, cada vez que vos deixo.
vocês, tão infinitamente bonitos, tão profundamente importantes.
costumavam ter tanta força, vocês. costumavam segurar-me pela mão, tomar conta de mim, guardar-me. ensinaram-me a vida, o mundo, as contas, as histórias, as recordações, o tempo. vocês.
tu e ele. ele que vive num mundo quase paralelo, em esforço para se manter à tona. ele, tão mimoso, tão espirituoso, como sempre. e apesar de tanto e de tudo, ainda ele.
tu que te seguras ao meu braço para não cair com essa mão frágil que um dia me ensinou a ralar casca de laranja para "dar gostinho ao bolo".
queria tudo
queria tanto
e nada posso, senão visitar-vos e a cada dia convencer-me de que estão melhor, de que não havia outra solução.
não chores, avó.
por favor.
gosto-vos tanto.
e sim, é mesmo assim que quero começar. afinal, a isto tudo se resume.
gosto-vos tanto, e com tanta força que é quase violento visitar-vos agora. um murro no abdómen de cada vez que vos encontro, cada vez que vos deixo.
vocês, tão infinitamente bonitos, tão profundamente importantes.
costumavam ter tanta força, vocês. costumavam segurar-me pela mão, tomar conta de mim, guardar-me. ensinaram-me a vida, o mundo, as contas, as histórias, as recordações, o tempo. vocês.
tu e ele. ele que vive num mundo quase paralelo, em esforço para se manter à tona. ele, tão mimoso, tão espirituoso, como sempre. e apesar de tanto e de tudo, ainda ele.
tu que te seguras ao meu braço para não cair com essa mão frágil que um dia me ensinou a ralar casca de laranja para "dar gostinho ao bolo".
queria tudo
queria tanto
e nada posso, senão visitar-vos e a cada dia convencer-me de que estão melhor, de que não havia outra solução.
não chores, avó.
por favor.
gosto-vos tanto.
21 outubro 2013
há dias tramados.
momentos, para dizer a verdade - que o dia foi muito bom.
um conjuntura espacial e extraterrestre qualquer faz com que tudo, no espaço de apenas 1 hora, o que podia correr menos bem, assim o seja.
suponho que não controlamos o que sentimos e que há também momentos em que vomitar aquilo que nos faz mal é a solução. mas, acérrima defensora do think twice, que é como quem diz do pensa-melhor-antes-de-falares, fico lixada.
lixada que não saibam ter comigo o mesmo cuidado que em horas idas tive. porque há coisas que se podem dizer de todas as formas, menos dessa.
o impulso é um gajo tramado.
calculo que o erro - numa espécie de confirmação da razão alheia - seja de facto meu, que por não estar habituada a ser honesta, não sei lidar com a frontalidade dos demais.
porque não aprendes a dizer o que sentes?
e ficam as palavras penduradas, à espera que alguém as arrume. e se ninguém lhes pegar, mais tarde ou mais cedo das duas uma: ou caiem e são esquecidas ou ganham vincos e ficam assim para sempre.
momentos, para dizer a verdade - que o dia foi muito bom.
um conjuntura espacial e extraterrestre qualquer faz com que tudo, no espaço de apenas 1 hora, o que podia correr menos bem, assim o seja.
suponho que não controlamos o que sentimos e que há também momentos em que vomitar aquilo que nos faz mal é a solução. mas, acérrima defensora do think twice, que é como quem diz do pensa-melhor-antes-de-falares, fico lixada.
lixada que não saibam ter comigo o mesmo cuidado que em horas idas tive. porque há coisas que se podem dizer de todas as formas, menos dessa.
o impulso é um gajo tramado.
calculo que o erro - numa espécie de confirmação da razão alheia - seja de facto meu, que por não estar habituada a ser honesta, não sei lidar com a frontalidade dos demais.
porque não aprendes a dizer o que sentes?
e ficam as palavras penduradas, à espera que alguém as arrume. e se ninguém lhes pegar, mais tarde ou mais cedo das duas uma: ou caiem e são esquecidas ou ganham vincos e ficam assim para sempre.
16 outubro 2013
cantar amor
regressar ao alfabeto. procurar letras que juntas, formarão palavras, significados. contarão mundos e dirão amor.
regressar, enfim, ao que sempre lá esteve para dizer o que nem sempre se ousa.
o toque leve da ponta dos dedos para não fazer barulho, para não te acordar. imagino que antigamente seria mais fácil.
a sobreposição de acontecimentos que, uns nos outros, encerram em si os dias, os meses, todo o tempo em que estivemos ao longe. que é como quem diz de lá a olhar para cá.
observar-te é poesia. encantada por essa voz, fecho os olhos e aprendo. é assim que se faz, vês.
é assim que se canta a vida e se dança amor. serão assim as manhãs ao teu lado. os olhos brilhantes, de menina-mulher no balanço de um vento suave, quase-brisa, ao calor de uma luz amena, quase-sol.
se me perguntassem, diria que és um Fá.
frames separados de uma mesma fita. o filme da minha vida.
hei de conseguir contar ao mundo todo de que é que somos feitos.
[escrever enquanto sereno, dormes ao meu lado. ]
regressar, enfim, ao que sempre lá esteve para dizer o que nem sempre se ousa.
o toque leve da ponta dos dedos para não fazer barulho, para não te acordar. imagino que antigamente seria mais fácil.
a sobreposição de acontecimentos que, uns nos outros, encerram em si os dias, os meses, todo o tempo em que estivemos ao longe. que é como quem diz de lá a olhar para cá.
observar-te é poesia. encantada por essa voz, fecho os olhos e aprendo. é assim que se faz, vês.
é assim que se canta a vida e se dança amor. serão assim as manhãs ao teu lado. os olhos brilhantes, de menina-mulher no balanço de um vento suave, quase-brisa, ao calor de uma luz amena, quase-sol.
se me perguntassem, diria que és um Fá.
frames separados de uma mesma fita. o filme da minha vida.
hei de conseguir contar ao mundo todo de que é que somos feitos.
[escrever enquanto sereno, dormes ao meu lado. ]
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